Período Colonial

“Para poder compreender as residências do passado, deve-se deixar o ponto de vista habitual e pensar do seguinte modo: os construtores antigos pensavam a casa como elemento protetor do homem, que vivia e trabalhava em plena natureza, contra as variações climáticas (janelas pequenas, salas sem luz direta, etc.). O homem do passado compreendia a sua casa como refugio. Satisfeito com o sol e o clima natural, este homem gozava da intimidade, do abrigo, do ninho. Descansava rompendo suas relações com a natureza. Na casa antiga faltam, portanto, os elementos que hoje nos são tão agradáveis e indispensáveis e o recinto doméstico, completamente diferente, nos causa, no primeiro momento, a impressão de desconforto, impressão que resulta dos nossos costumes. Para compreender a casa antiga precisamos estudar as condições em que elas foram construídas no passado”. (BROOS, 2002 pg.22)

 

COLONIZAÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO

          Nos primeiros 30 anos pós-descoberta, aproximadamente, não houve qualquer intuito por parte da Coroa Portuguesa de ocupar e/ou colonizar o novo território. Em 1534 (aproximadamente) foi implantada a primeira política efetiva de colonização do território: as Capitanias Hereditárias. A partir desse momento começaram a formar-se varias vilas. A configuração urbanística desses assentamentos, devido a falta de recursos e a própria distancia da Coroa Portuguesa, não era de planejamento urbano literalmente. As ruas e casas eram desalinhadas e nem havia as edificações administrativas, casa de câmara e cadeia por exemplo. Esse sistema não teve o resultado esperado e a Coroa Portuguesa se viu obrigada a instalar na colônia um Governo Geral. A partir daí iniciam-se intensas atividades urbanizadoras, como a construção da cidade de Salvador (1549). Mais tarde em 1565 foi construída a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Essas duas foram as primeiras cidades a seguir um traçado quadriculado.

          Todo o século XVI foi marcado por uma urbanização lenta e insipiente, com a formação de vilas dispersas apenas pelo litoral da colonia.

          A partir da segunda metade do século XVII, uma série de acontecimentos levaram a coroa portuguesa a adentrar no país, dentre eles dois se destacam: a)Frequentes invasões de outras nações no território não ocupado; b) O fim do ciclo da cana-se-açucar;

          Pressionada por dificuldades econômicas, Portugal passou a estimular a procura de metais preciosos no Brasil. Assim que a notícia de que havia ouro na colônia portuguesa da América do Sul se espalhou, teve início a corrida do ouro, principalmente para a região de Minas Gerais.

  “Homens, mulheres, ricos e pobres, seculares e clérigos, negros, brancos, índios, mulatos, mamelucos,  largavam tudo (ou fugiam, no caso dos escravos) e se dirigiam para Minas Gerais em busca do enriquecimento rápido. De Portugal, passaram a chegar mais de 4 mil pessoas por ano com destino às minas. (…)Vilas e cidades do litoral tiveram suas populações reduzidas quase que exclusivamente a idosos, mulheres e crianças.” (GISLANE; REINALDO. 2005:271)

           A descoberta de ouro fez com que Minas Gerais se tornasse a região mais populosa e rica do Brasil colônia, com cerca de 400 mil habitantes em 1780. No início do século XVIII a vida cultural floresceu e o estilo barroco é que vigorou nas cidades da época.

           Durante o ciclo do ouro destaca-se um conflito, a Guerra dos Emboabas, na qual os paulistas disputavam o controle da mineração.

          O ciclo do ouro fez com que a capital da colonia se transefrisse de Salvador, na Bahia, para o Rio de Janeiro em 1763. A pós o apogeu do ciclo do ouro, ocorrido no século XVIII, a produção começou a se esgotar. Essa escasses aliada com a falta de recursos e conhecimentos técnicos e também as ações tributárias e opressoras da Coroa causaram a decadência da mineração.

CARACTERÍSTICAS DAS CIDADES

– Ausência de passeio;

– Não haviam ruas e sim caminhos, que eram definidos pelas próprias edificações;

– A vegetação era escassa e não haviam áreas verdes (praças, parques, etc.);

– Haviam os espaços em frente as igrejas que configuravam as praças secas. Grande parte desses espaços, talvez por falta de uma preocupação maior com os espaços públicos, acabaram se tornando estacionamentos;

 OS EDIFÍCIOS INSTITUCIONAIS

– Os edifícios institucionais mais freqüentes eram os de cunho religioso (igrejas e conventos), mas haviam também cadeias e casas de câmara, estas duas geralmente no mesmo edifício;

– A Igreja era construída geralmente em um terreno mais alto, plano e longe da margem do rio (se ele existir);

          Essas edificações, com exceção de alguns detalhes, são composições de elementos provindos das casas residenciais. Nesse período a arquitetura residencial fornece a todas as outras edificações os elementos primários e fundamentais, seja na parte de construção, seja na parte de decoração;

 

         Uma característica importante das edificações coloniais é o prodomínio dos cheios em relação aos vazios. Na imagem que segue, da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, em São João del Rei – MG, é possível fazer a comparaação e perceber mais facilmente essa característica. Isso acontece porque a tecnologia construtiva da época não permitia que se trabalhasse de outra forma.

          Outra característica importante que aparece nessa igreja é a existencia de apenas uma das torres, isso se explica pelo fato dessas edificações serem bastante detalhadas e por isso levavam bastante tempo para ficarem prontas, as vezes passando de geração em geração, e acabavam ficando inacabadas.

CASAS E SOBRADOS

– A fachada básica da casa colonial era composta por uma porta (sempre frontal) e duas janelas; Embora houvesse muitas outras casas maiores, em todas elas prevalecia a métrica e os espaçamentos entre as aberturas;

– As diferenças sociais das famílias eram percebidas fortemente na arquitetura através da eira e da beira: detalhes presentes nos beiral e que eram uma forma bem clara de mostrar o poderio das famílias;

– No final do período começaram a ser utilizados revestimentos cerâmicos nas fachadas: a grande maioria dos azulejos era em tons de azul e amarelo devido aos pigmentos existentes na época;

            – Os sobrados começaram a ser construídos pelas famílias mais abastadas. Estes tinham o pavimento térreo ocupado pelo comércio e o pavimento superior destinava-se a moradia da família – a planta baixa do pavimento superior do sobrado continua a mesma da casa térrea, sem modificações significativas. O pavimento superior corresponde ao inferior – sem reentrâncias ou balanços. É importante ressaltar que apenas famílias que possuíam escravos habitavam os sobrados, pois eram os escravos que faziam todo o transporte de alimentos e demais produtos para a residência;

– As fachadas dos sobrados continuam mantendo a métrica das casas térreas: as janelas dos pavimentos inferiores correspondem com as do pavimento superior;

– As casas e sobrados, com exceção dos casarões dos senhores, eram construídos lado a lado, por isso a ventilação ocorria somente em um sentido, conforme mostram as plantas;

Estas plantas mostram como ocorre a ventilação das casas coloniais, que ocorre apenas em um sentido, já que as laterais são compostas de paredes cegas.

Sobrados: Assim como as casas térreas os sobrados apresentam uma planta baixa bem simplificada

Fachada típica de um sobrado colonial

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